☆☆ O BOM SELVAGEM DE ITAQUERA ☆☆

☆☆☆ O BOM SELVAGEM DE ITAQUERA  ☆☆☆

Esta página tem como objetivo divulgar, debater e discutir pautas relacionadas a cidade, mas por vezes a ignorância alheia ultrapassa limites tão grandes que somos obrigados a “quebrar o protocolo”.

A coluna de Luiz Caversan para a Folha de SP, nesta segunda feira, é uma mostra típica do servilismo engajado de boa parte de nossos “formadores de opinião” – tomados que estão pela patriótica convocação à defesa de nossa “presidenta”, xingada a plenos pulmões em diversos estádios país afora.

Caversan, resumidamente, redige uma pueril cartinha de desculpas à presidente, que poderia muito bem ter sido escrita por um adolescente do ginásio. Afirma que os xingamentos do dia 12 foram demonstrações rudes de falta de educação por parte de uma “gente diferenciada” que não costuma frequentar os rincões da Zona Leste de SP – lar de gente “boa” (como ele) que dá “tapa na boca” de engraçadinhos que ousem mandar alguém “tomar no cu”. Ao fim, convida a mesma para assistir aos jogos do “timão”, e alerta que o “bom povo” da Zona Leste irá comportar-se de maneira digna perante a autoridade máxima do país.

É tanta porcaria junta que nem sabemos por onde começar. Aparentemente, nosso amigo Luiz converte os moradores da Zona Leste numa espécie de “bons selvagens” de Rousseau – gente simples e humilde que presta reverências ao governo central e sabe como alegrar um colunista de esquerda. É de se espantar sua exortação a civilidade da “torcida do timão”, aquela mesma que entoa cânticos mórbidos sobre “matar os bambis” e que carrega na capivara a já esquecida morte do jovem boliviano Kevin Douglas Espada.

Para Caversan, o bom selvagem da Zona Leste não admite xingamentos presidenciais e comporta-se de forma digna e austera em seu estádio financiado pelo BNDES, enquanto paga impostos extorsivos e faz uso de serviços públicos ultrajantes. É, em resumo, a ficção de um idiota perfeito, um cidadão humilde e lobotomizado que todo governante gostaria de governar. Um espantalho “do bem”, a serviço de uma retórica que já não apresenta a mesma eficácia.

Caversan demonstra em sua carta não apenas um profundo desconhecimento da realidade política do país. Na ânsia de atacar a “gente diferenciada que pagou milão por um ingresso”, termina por estereotipar os moradores de toda uma região, numa falsa oposição classista entre patrícios e plebeus. Deveria conhecer de fato a realidade dos inúmeros operários que vêm perdendo seus empregos por conta da desindustrialização na região, bem como das centenas de vítimas silenciosas da violência urbana – que não contam, por sinal, com a benevolência e humanidade de seus colegas de blog, como Leonardo Sakamoto. O grito das arquibancadas seria pouco para expressar seu descontentamento.

Um passeio pela Zona Leste real faria bem ao bom colunista da Folha.

http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Fcolunas%2Fluizcaversan%2F2014%2F06%2F1470291-desculpas-dona-dilma.shtml&h=yAQHIWP87

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