☆☆☆ A PRIMEIRA AVENTURA ELEITORAL DO MOVIMENTO RENOVA ☆☆☆

Mitando no Consulado da Venezuela

Mitando no Consulado da Venezuela

por Renan Starkey

Olá macacada! Estamos oficialmente no jogo. Com apenas 6 meses de existência e defendendo idéias um tanto quanto “exóticas” para o ecossistema político nacional, o Movimento Renovação Liberal alcançou – através de seu candidato Paulo “The Mito” Batista –  cerca de 17 mil votos para deputado estadual, além de repercussão midiática nacional e internacional. Um feito invejável, em especial diante de todas as dificuldades enfrentadas por Paulo e sua equipe ao longo do trajeto. Sua campanha – valendo-se de um misto de humor com ativismo político pungente e agressivo – foi demasiadamente pioneira, como devem ser todas as boas premiéres.

  A primeira vista, tal candidatura não logrou êxito em bater as velhas fórmulas hegemônicas vigentes, mas não é este o recado que fica. Tal qual o carrossel holandês de 74, o Apple I e o Renault RS01 (primeiro carro turbinado da Fórmula 1), apontamos para um novo caminha que deverá, nos próximos anos, virar de ponta cabeça a práxis político-eleitoral brasileira. Vamos analisar nossa primeira aventura tópico a tópico.

Política sem idéias: até quando?

A política brasileira – excluindo-se obviamente nossos amiguinhos da esquerda – padece de uma assustadora tendência a estabelecer consensos covardes e posições genéricas. Nossas lideranças, herdeiras das mais arcaicas tradições patrimonialistas, trabalham com uma versão maximizada da lógica do malandro, evitando entrar em divididas e “desposicionando-se” antes mesmo de um eventual embate de idéias. A enorme maioria dos deputados estaduais eleitos no último final de semana não possui propostas consistentes, tampouco bandeiras claras para seus eleitores. Valeram-se de um apelo genérico por “mais saúde/segurança/educação” – quando não recorriam para o coração do eleitorado através de abraços em canídeos.  E em répteis e papagaios, se necessário.

Podemos ilustrar, na direção contrária, a expressiva votação de Carlos Gianazzi do PSOL e do Coronel Telhada, do PSDB, que ergueram barricadas em prol de suas pautas relativas à educação e segurança pública, respectivamente. Ainda assim, vale lembrar que ambos o fizeram tendo como retaguarda uma base eleitoral advinda de sindicatos e categorias de trabalhadores, como professores e policiais. É natural, portanto, que defendam um misto de idéias e interesses determinados, ocupando  espaços ideológicos específicos dentro do universo de candidatos.

Política séria, pelos critérios da Folha de SP.

Política séria, pelos critérios da Folha de SP.

A realidade demonstra, no entanto, que a grande maioria dos eleitos se valeu da chamada máquina – um misto de dinheiro, alianças regionais, dobradas com deputados federais e compra de cabos eleitorais. É um modelo caro, pesado, corrupto e ineficiente, mas definitivamente adaptado à realidade de um país politicamente desinteressado onde o voto é obrigatório e as eleições não são distritais. Fica clara a existência de uma “barreira de entrada” para ingressantes no jogo político brasileiro. Sem o suporte de grupos específicos da sociedade civil ou a bênção (acompanhada de um caminhãozinho de dinheiro) de lideranças políticas jurássicas, é praticamente impossível fazer política baseada em idéias em nosso país.

Rompendo a barreira: defender idéias e criar grupo

A defesa de um conjunto de idéias pressupõe a oposição direta a conceitos e lideranças antagônicas – tendo como conseqüência natural o debate e a formação de grupo de apoiadores. Esse vem sendo o trabalho municipal por essência dos Movimentos Renova, tendo como modelo as já conhecidas batalhas locais da filial de Vinhedo. Não haveria de ser diferente com nosso primeiro candidato em âmbito estadual, e desta forma procedemos em sua campanha.

Paulo Batista não contava com recursos abundantes. Tampouco com um partido que simpatizava por seu ideário. O PRP é uma legenda de aluguel das mais vagabundas, e fora escolhido por Paulo simplesmente por não opinar no planejamento  político de sua candidatura.Enquanto idealista e membro fundador do Renova Valinhos, nosso mito buscava replicar estadualmente uma fórmula que – em decorrência da óbvia questão territorial – funciona muito bem enquanto guerrilha política municipal.

A Estética da Zoeira

Diante das “barreiras de entrada” e da opção fundamental por uma campanha pautada em idéias, restou para nós do Renova o desafio de construir uma candidatura competitiva e polêmica , contrariando o receituário bundamolista que já abordamos anteriormente. O uso da internet enquanto ferramenta era um pressuposto – mas a linguagem a ser adotada provocou debates intensos dentro de nosso grupo. Eu já havia abordado anteriormente, em minha palestra no I Curso de Formação Política do Renova Vinhedo, em Agosto, a existência de uma “estética da zoeira” que permeava as ações de uma nova geração de liberais brasileiros. Tal estética, advinda de fóruns e “chans” de internet, mescla uma postura anárquica e iconoclasta com montagens toscas e grosseiras e profundas referências a cultura pop. É, enquanto linguagem, uma reação direta à baboseira lobotomizada do universo do politicamente correto. A crença na zoeira é a crença na célebre frase de Marshall McLuhan de que “O meio é a mensagem“. Zoamos não apenas porquê a zoeira é cancerígina, mas também porquê nossa mensagem é anárquica, corrosiva e revolucionária. No país do paternalismo cordial, qualquer ativismo libertário é altamente subversivo. Zombar do sistema é sorrir para implodi-lo.

O mais surpreendente, porém, era que o próprio Paulo – um homem sério e de certa forma recatado – acreditava mais que qualquer um no chamado “poder da zoeira”. Sua postura de debatedor incisivo, refutando a comunada que insistentemente tentava combatê-lo em sua página, era naturalmente acompanhada de um bom humor, leve e jovial. Era o próprio candidato que incentivava sua equipe a abraçar a zoeira, dizendo a todos “Nosso dinheiro tem limites. Nossa paciência tem limites. A única coisa que comprovadamente não tem limites é a zoeira!“. A adoção de tal linguagem ocorreu de forma natural, e todos encaramos sem sobressaltos a escalada de popularidade nas redes sociais, jornais, revistas e canais de televisão, sejam eles o SBT, a Record ou a toda poderosa CNN americana.

Na gringa!

Na gringa!

O teor das matérias pouco nos importava. A comparação com “tiriricas” da vida era feita mediante a mais pura ignorância ou a mais legítima má-fé. Valer-se de humor era até aceitável – o crime era defender idéias liberais. Ainda assim, mesmo colunistas liberais e conservadores na grande mídia torciam o nariz, afetados pela fórmula. Não havíamos pedido a benção com o rigor devido aos donos do movimento liberal no país. Em suma, cagamos e andamos para todos eles A canditura do Paulo tornou-se maior que nosso grupo ou mesmo que o candidato. Paulo era agora representante de um espectro de pensamento político adormecido em nosso país, o candidato a deputado estadual que mais citações tinha na internet  (ranking do site beonpop). Num momento em que cada vez mais se fala em “guerra cultural” por parte da esquerda, era de se admirar que através de seu raio, Paulo tivesse resignificado as famigeradas privatizações. Destruindo um trabalho de 20 anos dos estatólatras, pessoas faziam memes privatizando estradas, servidores públicos, políticos desastrados e amigos de escola. Através do raio privatizador, um objeto ou sujeito era convertido de sua versão precária para a versão evoluída. Um feito que faria Mises sorrir.

O poder da máquina e a continuidade do projeto

O resultado final, para muitos de nós, pareceu frustrante se comparado com a repercussão midiática e com a qualidade da campanha efetuada. Paulo foi o candidato mais ativo, propositivo, provocador, ousado, corajoso, criativo e inteligente. Foi aquele que mais se comunicou com seu eleitorado, que mais buscou o embate com seus opositores, e que menos se escondeu por detrás de chavões e apelos populistas. Nos choca comparar sua campanha a de um Cauê Macris, um jovem que nasceu velho, cuja campanha notabilizou-se por uma nulidade propositiva absolutamente obscena. Chegamos a contatar, por curiosidade, seu gabinete, que nos informou que o candidato iria apresentar as propostas em momento oportuno. A duas semanas do pleito.

Ainda assim, a velha máquina venceu. Santinhos foram pisoteados, placas foram alocadas, prefeitos foram comprados, crianças (e cachorros) foram beijados. Ao vencedor as batatas – e o medíocre destino que nos caberá na Alesp. A vasta maioria do eleitorado já não se lembra, após uma semana, em quem votou para deputado estadual, e os eleitos trabalharão no confortável anonimato das salas frias da Assembléia. Paulo, porém, continua em campanha. Sua página não para de crescer. Sua equipe não para de trabalhar. Seus 17 mil votos são 17 mil ativistas. Que já aumentaram ao longo da última semana.

Fala-se muito em “nova política”, mas pratica-se pouco a verdadeira política. O embate de idéias, incisivo e corajoso, e a tomada de posições firmes e claras são pressupostos para uma democracia saudável. O Movimento Renovação Liberal, o  Líber, e a liderança política Paulo Mito Batista sabem muito bem disso. Magoaremos e continuaremos magoando socialistas, independente dos pleitos eleitorais. Pois ao contrário dos representates eleitos, estaremos na boca do povo, ocupando o espaço que os defensores da liberdade jamais deveriam ter perdido.

Raio Privatizador!

Agradecimentos:

De coração, a todos que acreditaram e contribuíram com o projeto, Erick Skrabe (e suas engenhocas), Líber, MRSP, Panelinha da Direita, Liberball, Fábio Ostermann, Rede Libertária, Ilisp, Danilo Gentili, Roberto Chioca, Ton Martins, os corajosos candidatos liberais (em especial o Marcel Van Hattem), Liberzone, Liberalismo da Zoeira, Rafael Rizzo, Rafael Serra, Rodrigo Gorky, Tiago Ramos, Ursinhos Bolivarianos, Henriques Jair, Juliana Magalhães, Camilo Caetano, Luis Fernando Cirilo, Bene Barbosa, Movimento Viva Brasil, Caio Mesquita, Alexandre Gonçalves, Thiago Rosselini, Paulo Kogos, André Rufino, Luciano Ayan, Ron Paul, Hélio Beltrão e muitos outros que merecem ser citados mas meus dedos já cansaram de teclar. 

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3 comentários

  1. Meus parabéns! Texto muito lúcido! Até mesmo eu, um apoiador incondicional as vezes me questionava o quanto de seriedade havia sob a zoeira. Agora eu sei que a zoeira é só a ponta do iceberg. Isso me deixa esperançoso.
    Abraços

  2. Putz, espero mesmo que o Paulo tente novamente e não pare o movimento.
    Eu tava com o número dele pra votar mas descobri no dia anterior que ele não era do RS. Aí me quebrou.
    Acho que o pessoal que entende economia e não está indoutrinado pelo socialismo é até alto se compararmos a quantas andas a máquina comunista no Brasil. O que nos falta é um movimento organizado pra debater isso. Acho que vocês é quem vão ter que ser os pontas de lança.
    Valew Paulo e a sua equipe. É isso aí. Acabar com aqueles “alunos” de faculdade pública que demoram 1 década pra acabar uma faculdade de 4 anos, e saem de lá verdadeiros militantes socialistas.
    Tempestade privatizadora neles!

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