Pesquisa

☆ O ensino médio público em Vinhedo ☆

Analisamos de forma mais apurada os resultados apresentados pela pesquisa realizada pelo Movimento Renova Vinhedo. Após o post focado no tema do transporte noturno, trazemos luz à temática da educação – mais precisamente o ensino médio em Vinhedo.

Há razões para tal corte. O município conta com um eficiente sistema de ensino fundamental, como atestam os resultados da Prova Brasil de 2007:[1]

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[1] Utilizamos como base de dados o ano de 2007, tendo como fonte o “Diagnóstico da Educação Básica na Região Metropolitana de Campinas “, do Prof. José Roberto Rus Peres, Professor Doutor da Faculdade de Educação – Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Desde já, assumimos uma premissa para toda a análise vinda deste Movimento: levamos comparações a sério. O fato de Vinhedo não se destacar em comparação aos municípios com orçamentos inferiores é um demérito, suscitando uma reflexão mais profunda por parte dos formuladores de políticas públicas na cidade.

Amplamente municipalizados, em acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – Lei Federal nº 9.394, de 20 de dezembro

de 1996, a Educação Infantil e o Ensino Fundamental serão objeto de análise mais minuciosa futuramente. Vamos nos ater, por ora, ao Ensino Médio.

Não são raras as manifestações de descontentamento com a qualidade do ensino ofertado pelas três instituições de ensino médio estaduais ( Patriarca da Independência, Maria do Carmo Von Zuben e Israel Schoba). Menos raras são as reclamações relacionadas às suas estruturas física e de segurança. Encontramos portanto uma campo fértil para análise e esboço de projeto de melhoria a ser construído passo a passo com a sociedade.

1)   Resultados da pesquisa:

A pesquisa de opinião mostrou uma franca polarização nas avaliações das escolas. A Patriarca da Independência recebeu número similar de avaliações ruim/péssima e boa/ótima. Seu desempenho foi superior ao da Professor Israel Schoba, que por seu turno foi aquela apresentou a pior avaliação. O caso mais interessante – e que será objeto de análise mais detalhada – é o da Escola Estadual Professora Maria do Carmo Ricci Von Zuben, localizada no bairro da Capela,  que foi muito bem avaliada (40,5% de bom/ótimo) , deixando no ar uma estranha sensação de que tudo vai bem no Ensino Médio Vinhedense.

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1.1)       O estranho caso “Maria Von Zuben”

No dia da pesquisa, nossa equipe percebeu que durante a coleta de informações com os jovens, os mesmos costumavam auferir notas altas a suas escolas de origem, e notas extremamente baixas a  “escolas rivais”. Tal padrão pode ter influenciado decisivamente na relativamente boa avaliação desta escola, a despeito de alguns deméritos conhecidos por todos. Mais: a população parece não fazer uso de bons instrumentos de análise, bem como não aparenta participar de forma plena na construção de um ensino médio mais forte e competitivo para a juventude vinhedense.

Tal percepção, porém, não parece ser uma exclusividade do município de Vinhedo, tendo em vista que a baixa qualidade do ensino público ofertado no Brasil ultrapassa barreiras territoriais e socioeconômicas, esbarrando em conceitos errados, grupos de pressão social como os sindicatos e no incipiente envolvimento familiar.

Uma breve análise do gráfico abaixo demonstra a gravidade do problema:grafico escola

 

A diferença gritante de desempenho entre os colégios particulares e a “Maria Von Zuben” chega a ser acintosa. Ao ocupar a posição número 5.284, atrás de escolas estaduais de municípios consideravelmente mais pobres do que Vinhedo, percebemos que a ausência de articulação entre a comunidade, o município e o estado pode representar um grande desperdício de dinheiro publico.

Diante do exposto, o caso “Maria Von Zuben” oferece-nos as seguintes conclusões:

–       Falta de engajamento e participação civil  no ensino médio da cidade demanda mecanismos de informação e incentivo por parte do poder público;

–       Falta de visão por parte do gestor público municipal, que não aborda a questão educacional de forma abrangente e ignora os efeitos de uma gestão ruim do Ensino Médio sobre os trabalhos feitos no ensino fundamental;

–       Pouco ou quase nenhum uso dos mecanismos de avaliação, bem como sua devida divulgação, para um avanço concreto no ensino médio;

–       Preconceito ideológico que impede todos os agentes envolvidos de enxergar o óbvio: as escolas privadas apresentam resultados consideravelmente superiores em toda e qualquer avaliação, possuindo, portanto, métodos de ensino e gestão superiores.

 

1.1)       Mais resultados e propostas de solução:

A página “8” de nossa pesquisa mostra o resultado da avaliação de diversas propostas para melhorias no ensino médio em Vinhedo. Os números falam por si:04

Com exceção das premiações em dinheiro para estudantes que apresentem desempenho superior, onde 24,6% dos entrevistados foram contra, a rejeição da população Vinhedense a propostas liberais na gestão do ensino público foi mínima. A aceitação das ideias ultrapassou 70% em todas as outras ideias, demonstrando que o preconceito contra uma maior participação privada no setor parte somente de preconceitos ideológicos e sindicatos.

As premiações por meio de redução no valor do IPTU e da conta de água para familiares de estudantes exemplares ( 82,3% de aprovação) parece ser uma boa forma de inserir a família na questão do ensino médio . Acreditamos que a competição e a meritocracia são critérios que permitem um processo evolutivo na formação de jovens, tornando-os mais aptos a atuar no meio universitário e no mercado de trabalho posteriormente. Tratar a “participação da comunidade” sem metas e avaliações é converter uma importante ferramenta de estímulo à qualidade em num discurso vazio e demagógico, complicando aquilo que deveria ser fácil.

A mesma análise pode ser aplicada aos incentivos para participação de empresas nos investimentos em estrutura física, materiais, computadores e instalações nas escolas. Tal interação pode aumentar e muito a qualidade de nossas instituições de ensino – não apenas as de ensino médio – além de engajar o empresariado nessa importante missão. Sendo uma ideia com mais de 87% de aprovação, é uma formula simples e eficaz na geração de melhorias permanentes em nossas escolas com amplo apoio popular.

Por fim, uma questão ainda polêmica no país apresentou resultados promissores: mais de 74% da população é favorável a uma “gestão privada com ensino e padrão de escolas particulares”. Tal percentual deveria ser uma constatação óbvia de fatos objetivos: escolas privadas apresentam melhor ensino, conforme constatado em todos os exames nacionais e nas listas de aprovados nas principais universidades do país. Ainda assim, vivemos em um país estatista, alvo de grupos de pressão como sindicatos. Toda e qualquer movimentação política para desestatizar o sistema de ensino é alvo de ataques diversos por tais grupos. Se trata, portanto, de um tema espinhoso, do qual os agentes formuladores de políticas públicas costumam fugir, preferindo dialogar com o erro ao invés de assumir posturas corajosas e compromissadas com o futuro dos estudantes.

 

1)   O que pretende o Movimento Renova Vinhedo.

De forma clara e objetiva, estamos diante de um caso em que um município bem dotado de recursos orçamentários tem seus investimentos em educação infantil e fundamental comprometidos pela péssima gestão do ensino médio estadual na cidade. Conforme esta análise, cremos que o “elo fraco da corrente” deve ser removido e substituído por ideias e conceitos modernos, despidos de preconceitos ideológicos e interesses setoriais de grupos de pressão.

Diversos municípios, também dotados de orçamentos consideráveis, fizeram a escolha por municipalizar parte de seu ensino médio, obtendo resultados satisfatórios, como atesta o Enem de 2012:

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A proximidade da gestão municipal, aliada à boa vontade do poder público, permitiram uma clara diferenciação de desempenho em relação às similares estaduais.  Ainda assim, apesar de reconhecermos as vantagens da municipalização, cremos que ainda é pouco: para nós, um modelo de gestão privada do ensino, com metas claras e objetivos tangíveis , é a melhor forma de rompermos com o modelo perverso atual. É sem dúvida uma iniciativa pioneira e corajosa, mas também é, antes de tudo, uma proposta óbvia diante dos fatos. O modelo de educação pública brasileiro é caro e absolutamente fracassado; romper com ele é lutar por melhorias reais na nossa sociedade.

 

Assim, com base nas pesquisas de campo e nos dados coletados, trabalharemos no sentido de:

–       Coletar dados e informações de prefeituras que municipalizaram seu ensino médio, como Paulínia e Contagem;

–       Providenciar ofício a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo a fim de obter maiores informações sobre o orçamento, despesas e desempenho nas escolas estaduais de Vinhedo;

–       Visitar as escolas locais para coletar maiores informações;

–       Dialogar e compor uma equipe de trabalho para criar um novo modelo, baseado em critérios objetivos de desempenho com gestão privada – tanto no ensino quanto na administração;

–       Dialogar com a Secretaria Municipal de Educação sobre as ideias e iniciativas presentes nesta análise.

Convidamos todos os interessados a trabalhar nesta ambiciosa tarefa a se juntarem a nós.

Juntos, levaremos a educação dos jovens de Vinhedo a um novo patamar.

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